segunda-feira, dezembro 16, 2013

100 anos da Guerra "para acabar com todas as guerras"



Querido blog,

O meu bisavô Trajano esteve lá.
Lutou contra o inimigo, contra a fome e a doença. Ficou surdo e coxo quando atravessou a terra-de-ninguém para salvar um tenente ferido, e no regresso foi atingido por um morteiro.
A história recente do mundo ensina-nos que a guerra está sempre à espera ao virar da esquina, que a expressão "Nunca mais!" não lhe é aplicável.
Hoje em dia conhecemos a Guerra através dos relatos dos vivos, e ficamos comovidos com as histórias de coragem, de sacrifício e dor.
Sentimos a emoção dos hinos, das entrevistas aos sobreviventes, dos familiares separados pelo conflito, e reencontrados anos depois.
Mas a Guerra, mais ou menos televisionada, mais justa ou injusta, é sobretudo um filme mudo, um rodapé infindável de nomes, de vozes silenciadas para sempre.
Em 2014 vamos evocar o Centenário da Guerra "para acabar com todas as guerras" ( como dizia, ironicamente Loyd George), mas também assinalamos mais um ano do maior período de paz na História da Europa. Uma paz que pode ou não perdurar, mas que por ora continua a ser uma garantia de futuro para a minha geração.
Entrarei em 2014 com o desejo profundo que esta Velha Europa irrequieta, saiba continuar a canalizar as suas energias para os caminhos da liberdade, igualdade e fraternidade.
Porque são estas as palavras de paz que protegem os europeus, daquele silêncio ensurdecedor que se abate sobre milhares de pessoas por todo o mundo, todos os anos.



quarta-feira, novembro 13, 2013

'Se não há modificação na Europa vamos para uma nova guerra'



Querido Blog,

Quem me conhece sabe que não sou nenhum fã de Mário Soares,
Temos assistido, no último ano, a declarações do antigo Presidente da República, da maior gravidade e irresponsabilidade.
Mas hoje, em Paris, Mário Soares despiu "a farda" de guerrilheiro radical, e vestiu uma outra, a do estadista que conquistou o respeito de muitos, e a admiração de alguns.
Discordo da sua caracterização do papel de Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia, e não acredito em teorias políticas baseados em "saltos de fé", uma crença religiosa na "chegada da cavalaria" vinda do outro lado do Atlântico.
Mário Soares tem medo. E tem razão para ter. 

O crescimento dos movimentos/partidos radicais à esquerda e à direita na Europa é, de facto, preocupante.
Não só pela representatividade que vão conquistando, dentro e fora do sistema democrático, mas sobretudo pela crescente agressividade com que se comportam, alimentando-se da conflitualidade social resultante da crise.

A Europa de hoje começa a perder o seu rumo de convergência política, e torna-se necessária uma abordagem pragmática à principal evidência comum aos povos europeus:

Os europeus não querem a união política com que Bruxelas sonha.

Karl Deutsch escrevia que "as Relações Internacionais são demasiado importantes para serem deixadas para os especialistas". Essa posição é sustentada pela necessidade da 
afirmação da política, e dos políticos, para definir a visão, a estratégia e tomar as decisões que o sistema executa.
Deutsch estudou profundamente os modelos de funcionamento dos sistemas políticos, mas sempre destacou a importância do factor humano, nos processos de decisão.
Acredito que o perfil dos dirigentes políticos Europeus, a incapacidade de lidar com o fracasso da Constituição Europeia , e a conjuntura de crise, deixaram o projecto Europeu à deriva.

Urge repensar a estratégia e o caminho para a atingir, e apresentar um novo projecto, de forma clara e transparente aos povos europeus.
Porque um Sistema Político Europeu sem consensos validados pelos povos, não passa de uma estrutura oca, opressiva e condenada a desaparecer, com consequências políticas e sociais gravíssimas. 
Estamos ainda muito longe de uma realidade semelhante às conjunturas que precederam as Guerras Mundiais do Séc.XX, mas seria uma irresponsabilidade perigosa ignorar os sinais.


Defendo assim uma mudança na Europa, mas uma mudança de projecto político, que passe por alguns destes princípios:

  • Aprofundar as relações entre os povos, sem esmagar as soberanias nacionais.
  • Definir estratégias económicas comuns que reforcem a competitividade das economias nacionais, com o apoio de mecanismos reguladores fortes.
  • Definir regras de concorrência exigentes entre blocos económicos.
  • Assumir, política e financeiramente, a necessidade de uma Política Comum de Segurança e Defesa, que saia do papel e seja efectiva.
  • Desenvolver um novo modelo de políticas de coesão, que não passe simplesmente pelos handouts dos fundos comunitários. 


Em conclusão, partilho das preocupações de Mário Soares, mas não subscrevo a "solução milagrosa" vinda dos EUA.
Como leitor assíduo de bandas desenhadas na minha infância, nunca me esqueço que, tanto na literatura como no cinema americano, a "cavalaria" chega sempre, mas sempre depois de terminado o combate...
Não deixo de notar (sorrindo) que Mário Soares, que se confessava ateu em 1998, tenha esta atitude de fé nos amigos americanos.
Quem o viu e quem o vê.







terça-feira, julho 16, 2013

Sobre os Zetas e os Otelozinhos de vão de escada


Querido blog,

O México assistiu a mais um episódio de uma guerra sem tréguas, desta vez a detenção de um dos homens mais perigosos do Mundo, acusado de centenas de crimes, dos quais cerca de 260 são homicídios.

O combate contra os poderes erráticos, que pretendem a subversão e o derrube dos Estados para servir os seus próprios fins, é uma realidade que Portugal não conhece, desde a extinção das Forças Populares 25 de Abril (FP-25) em 1987.

Sejam cartéis de droga no México, as FARC na Colômbia, chefes das Forças Armadas da Guiné-Bissau, ou  a ETA em Espanha, todos estes fenómenos exploram, subvertem e usurpam o poder dos estados.
Quando olho para as fragilidades políticas, jurídicas e sobretudo funcionais do Estado Português, preocupo-me cada vez mais com o futuro deste país onde nasci, e onde quero um dia criar os meus filhos.
A minha preocupação não tem o centro na actual crise política que o país atravessa, mas na forma como a esquerda radical em Portugal começa a mostrar as garras, como se perspectivasse uma nova oportunidade para desencadear um PREC.

Quando um deputado da Nação, independentemente da sua ideologia, faz declarações deste género, e se mantém em funções, então estamos perante a subversão pública dos valores da democracia e do estado de direito.A excessiva tolerância com que as forças vivas do nosso sistema democrático (políticas, cívicas, comunicação social) lidam com estes comportamentos, é fruto de uma cultura criada ao longo de 30 anos num processo calculista de revisionismo histórico, no qual Mário Soares participou, nomeadamente, quando concedeu indultos aos condenados das FP-25, entre 1996 e 97 ( alguns dos quais voltaram à vida do crime e da violência).

No caso de Otelo, os socialistas foram mais longe, e em 2009 promoveram o terrorista a Coronel (com uma indemnização de 49.000 euros), pela mão dos ministros Teixeira dos Santos e Severiano Teixeira.


Vítima mortal das FP 25

Em 2012, não faltaram as entrevistas e o protagonismo dado a Otelo Saraiva de Carvalho, um homem outrora condenado a 15 anos de prisão, por liderar uma organização terrorista em Portugal, responsável por centenas de crimes, entre os quais 17 assassinatos, 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos.



É verdade que estes Migueis Tiagos, que populam os corredores da "ala esquerda" do parlamento, não passam de otelozinhos de vão de escada, mas cuja audácia e agressividade só ganham expressão, face à indiferença intimidada das instituições democráticas, que continuamente se deixam subjugar por uma pretensa e hipócrita autoridade moral, que não é património de nenhuma ideologia, nem de nenhum partido.
Faz claramente falta, no espectro social e político, quem assuma o combate político contra a poluição cultural da nossa história, contrapondo com a verdade dos factos, a retórica revisionista e fanática da esquerda. Para que as famílias das vítimas da esquerda em Portugal possam finalmente encontrar paz, num país que deixou o seu sacrifício cair no esquecimento.
Miguelinho, vocês não são "mais do que eles", porque a vossa verdadeira e profunda frustração ideológica, é contra o povo português, que escolhe livremente, desde 1976, um caminho que não é o vosso, um caminho de liberdade e de democracia.Miguelinho, deixo-lhe com uma imagem de um dos teus heróis, e umas citações dos  seus discursos heróicos, cheios de palavras de esperança e liberdade, para se inspirar em futuros posts.


"The U.S. is the great enemy of mankind!" raved Ernesto "Che" Guevara in 1961. "Against those hyenas there is no option but extermination. We will bring the war to the imperialist enemies' very home, to his places of work and recreation. The imperialist enemy must feel like a hunted animal wherever he moves. Thus we'll destroy him! We must keep our hatred against them (the U.S.) alive and fan it to paroxysms!" […]

“A revolutionary must become a cold killing machine motivated by pure hate. We must create the pedagogy of the The Wall!” The Wall is a reference to the wall where Che’s enemies stood before his firing squads.

“What we affirm is that we must proceed along the path of liberation even if this costs millions of atomic victims.”


quarta-feira, março 27, 2013

Histórias da vida no dia Mundial do teatro


Querido Blog,

Partilho contigo o meu modesto contributo para o Dia Mundial do Teatro.

Hoje um grande amigo meu perguntava-me o que oferecer no aniversário de uma amiga especial, que estava a passar por um período menos bom.

A conversa foi assim:

Fulano - a Sicrana faz anos, anda um bocado em baixo e eu gostava de fazer-lhe uma surpresa e puxar um pouco por ela. 
Vai haver um jantar com as amigas ( que ela nem queria fazer) onde eu também vou estar, mas não tenho nenhuma ideia do que lhe oferecer.
Tens alguma ideia?

Eu - Hombre, se queres puxar por ela tens de lhe dar algo que a faça sentir especial, bonita, humm.. Sexy! O que é que ela gosta mais de fazer?

Fulano - Ah! Hum... Huh... Gosta de (1 minuto).... Eh pá! Ela gosta de livros da Sveva Modignani, de tomar café com as amigas, no verão está sempre a caminho da praia... Sei lá que mais!

Eu - Hum, Sveva... Pois. Ela deve andar mesmo depressiva...

Fulano - É isso, vou oferecer-lhe um livro! Um romance alegre ou algo assim para ela largar essas porcarias.

Eu - Está mas é calado, se ela está em baixo nada pior que criticares o gosto literário dela, e provavelmente não a conheces assim tão bem para acertar no tipo de escrita que ela gosta.
Se queres puxar por ela e também fazer boa figura, porque não lhe ofereces algo que a faça sentir bonita? Tipo um vestido ou um bikini, já que ela gosta de praia.

Fulano - Estás parvo? Primeiro nem sei os tamanhos dela, não percebo nada disso, depois ela pode não gostar do que eu escolher, e pior vão estar lá as amigas todas no jantar, que só vão pensar que eu sou algum tarado, que se quer aproveitar da fragilidade da amiga.

Eu - Estás tãaaoo enganado. Conheces bem alguma das melhores amigas dela?

Fulano - Conheço.

Eu - Então fazes assim. Ligas para ela e pedes ajuda com os tamanhos, escolhes 3 ou 4 modelos e pedes-lhe para te ajudar a decidir qual o melhor. Afinal, elas estão sempre a trocar as roupas umas com as outras, por isso a amiga deve ter uma boa ideia do que há no armário dela.

Fulano - Mas e as outras não me vão criticar no jantar? Não achas que é demasiado denunciado?

Eu - Tu já és denunciado o suficiente rapaz, acabaste de me dizer que estás apanhadinho por ela e eu nem te perguntei nada! Diz-me lá uma coisa. Gostas mesmo dela?

Fulano - Acho que estou apaixonado.

Eu - Achas, ou tens a certeza? e ela? Já sabe?

Fulano - Tenho a certeza. Ás vezes acho que ela percebe mas nunca deu a entender nada.

Eu - Ok, então sabe de certeza (riso). Achas que ela gosta de ti?

Fulano - Gostar gosta, não sei se está apaixonada ou assim, mas desde que terminou com o outro temos estado juntos muitas vezes, e ela disse-me à tempos que não tem estado com ninguém.

Eu - És mesmo parvo, ela disse-te isso e tu nada (risos)? Enfim tu vais oferecer-lhe um bikini e sabes porquê?
Não há nada pior para uma mulher do que um homem inseguro, medricas e de meias palavras. Tu se a queres para ti tens que assumir isso, tens de lhe demonstrar que gostas dela, que a desejas, e que queres fazê-la feliz, e não podes ter medo de o dizer em lugar nenhum, sobretudo nunca à frente das amigas dela, que é exactamente onde tens de ser mais forte e decidido.
O mais importante é o que lhe vais dizer quando ela abrir o presente, a forma como vais justificar essa oferta, e aí recomendo que escrevas um cartão, para não te enterrares todo em frente das amigas, e fazeres figura de parvo.

Fulano - O que é que tu escreverias?

Eu - Se pudesses ser totalmente honesto com ela por um minuto, que gostarias de lhe dizer fulano?

Fulano - Que este presente sirva para despertar a mulher linda e fantástica que eu conheço, e tem andado adormecida, mas está na hora de acordar. Gostava de lhe dizer que o meu sangue ferve ao pé dela, que nunca confiei numa mulher como confio nela, que a acho muito bela e sensual, e que me revolta quando a vejo assim triste e sozinha, que quero ser o homem da vida dela, e que comigo ela voltará a encontrar a felicidade!

Eu - Então se já sabes o que lhe deves escrever no cartão, porque é que perguntaste?

(2 horas depois o fulano envia-me estelink pelo  facebook)

Fulano - Pá a amiga dela já me recomendou esta loja com artigos originais, e nem precisei de lhe pedir ajuda que ela ofereceu-se logo para escolher o bikini comigo! Mas nem imaginas, perguntou-me logo toda entusiasmada se eu gostava da fulana.

Eu - Boa! E tu disseste que sim certo!

Fulano - Não! Achas? Não me ia comprometer assim de qualquer maneira! Disse-lhe que achava que sim mas não tinha a certeza.

Eu - Tu realmente não precisas da ajuda de ninguém para te estenderes ao comprido, já fazes um belo trabalho sozinho ... Parabéns Fulano! Acabaste de dizer a uma das melhores amigas da fulana que gostas da fulana mas não tens a certeza.
Ou seja, és mais um tipo cheio de meias tintas, que não sabe o que quer nem para onde vai, incapaz de se comprometer com nada, quanto mais com um namoro com uma fulana que saiu fragilizada de uma relação anterior. És mesmo estúpido.

Fulano - Ah! Não tinha pensado nisso....

Eu - Olha, nem que compres os 10 bikinis mais bonitos dessa loja, ou outro presente qualquer, nada disso vai ser bem interpretado, nem bem recebido por ela ou pelas amigas, se tu não tiveres a mínima confiança no que sentes por ela e fores capaz de tomar decisões e assumi-las. Isso é que é ser homem, e nenhuma mulher que valha a pena vai esperar menos de ti. Cresce rápido, que assim não vais lá!

Esta é uma história verídica.

Fim.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Encruzilhadas perigosas




"O mercado asiático também sofreu com a indecisão política italiana. A bolsa de Tóquio encerrou a sessão desta terça-feira a cair 2,26%."

Quando o resultado de uma eleição tem consequências tão disseminadas pelo mundo, percebemos que o paradigma de governance internacional em que vivemos, sofre de hipersensibilidade democrática.
Portanto, os juros disparam em diversos países porque os italianos não gostaram do candidato que os mercados quiseram impor a todo um povo.
Não fosse a gravidade deste facto, e eu estaria hoje despreocupadamente a trocar umas piadas com amigos, porque os italianos deram uma "tampa aos mercados".

Mas é grave.
O sistema político e financeiro que representa o paradigma do chamado primeiro mundo, está em convulsão.
Os actores financeiros e políticos do mundo ocidental comportam-se como se pudessem viver um sem o outro, numa dança de poder que os impele para um braço de ferro impossível, com consequências imprevisíveis.
Gostemos ou não, "os mercados", os Estados, e os povos do primeiro mundo estão todos no mesmo barco, mas o equilíbrio que existia entre todos, já não se verifica.
Existem diversas explicações possíveis para esta evolução, mas uma delas seguramente é a ausência de uma estratégia total para o projecto europeu, que influencie as estratégias integrais dos Estados.

O sistema teórico de desenho e formulação estratégica da União Europeia é qualquer coisa como isto:


Num mundo em que as organizações de elevada complexidade procuram os melhores métodos de recolha e tratamento de informações, e reconhecem a absoluta necessidade de processos de decisão estratégica, execução e feedback cada vez mais eficazes, o actual modelo em vigor no Sistema Europeu é, no mínimo, anacrónico.
Com a crise actual a dilacerar os elos de solidariedade entre os Estados Europeus, e a permanente vulnerabilidade dos sistemas políticos nacionais, são factores de risco que não podemos ignorar, sob pena de assistirmos à queda de um sistema de equilíbrios, sem sabermos qual é o sistema que irá emergir dos destroços.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Faz o que eu digo, Não faças o que eu faço!


Querido Blog,
Escrevo-te para te dar conta do que o amigo Jorge Janeiro escreveu, a propósito das manobras políticas a que assistimos no meu querido Concelho de Oeiras.
Gostava de destacar dois momentos deste post do Jorge, que me parecem particularmente relevantes, nos tempos que correm:


- A propósito de uma entrevista dada Pelo Vice-Presidente da CMO a uma revista, que foi paga com dinheiros públicos:

" Fiz um requerimento na Assembleia Municipal a pedir as faturas (hoje em dia obrigatórias…) para confirmar em quanto ficou tudo.
O senhor vice-presidente admitiu que quem pagou foi a Câmara Municipal, apesar de na capa se assumir como candidato, porque foi “convidado” para ser entrevistado. 
O que não deixa de ser curioso. 
A apropriação de dinheiros públicos para fins privados é crime público, pelo que há que ter cuidado nesta matéria."

- Referindo-se à inauguração da fase 2/B do Parque dos Poetas:
"Eu compreendo a necessidade de o Isaltino deixar a sua marca. 
Mas podia deixar-nos o mesmo legado comprometendo menos o nosso futuro, pois 9 milhões de euros dariam, muito provavelmente, para fazer dois ou três parques ainda maiores do que aquele, servindo mais gente, satisfazendo ainda melhor as nossas necessidades e custando menos em manutenção. 
Ou dariam para fazer um parque e reabilitar vinte ou trinta apartamentos nos centros históricos para jovens, que continuariam a viver em Oeiras"

Estes 2 excertos reforçam a minha convicção da existência em Oeiras de poderes políticos que confundem os seus objectivos próprios com os os do Município.
A ingenuidade com que se admite publicamente que se "compram entrevistas" com dinheiros públicos para fazer campanha, justificando com o facto de também se falar do trabalho da Câmara Municipal, é de bradar aos céus.


Em casa de qualquer português, um "convite" para uma entrevista que custa 10.000 euros, não é convite nenhum.

O Parque dos Poetas sempre foi uma prioridade, uma afirmação de um Concelho feito à imagem do seu líder, que reclama o direito de sair pela porta grande, e assim, não havendo dinheiro para inaugurar a fase 2 inteira, dividiu a mesma num lado A e B.
Como muitos oeirenses, sinto simpatia e solidariedade pessoal para com este homem controverso, que marcou os últimos 25 anos deste Concelho. 

Mas o mesmo sorriso que me assalta ao assistir a mais esta "jogada do velho mestre maroto", transforma-se num olhar de desdém quando vejo alguém a esforçar-se tanto por ser a sua cópia.
Não deixa de ser caricata a relação contraditória entre estes 2 excertos, que caracterizam um homem que reclama direitos de autor pela sua obra, e outro que tenta imitar os comportamentos do primeiro, utilizando o nome da Isaltino para se promover políticamente.

Querido Blog,


A verdade é que Paulo Vistas não teve tempo para se afirmar sozinho, o Presidente Isaltino não lhe deu espaço durante o mandato, nem agora, a 6 meses das eleições entrega a Câmara ao seu Vice-Presidente.
Achas mesmo que alguém acredita que os munícipes vão eleger uma pessoa que conhecem pouco, e que em vez de se afirmar, dando a conhecer a sua personalidade, está a tentar ganhar as eleições a partir da imagem de outro?
Mas porque é que alguém vai confiar os destinos de Oeiras a um homem, se nem o actual Presidente, que lhe empresta o nome a imagem para a campanha, é capaz de o fazer?

  




terça-feira, outubro 16, 2012

Não quero ficar sem a Sagres!


Querido Blog,

"Prenderam a Libertad"!
Esta exclamação pode bem ter sido uma das manchetes de um qualquer jornal argentino, um dia depois da apreensão da fragata "Libertad" , no Gana. Esta fragata é propriedade de um Estado, que em 2001 decidiu não pagar as suas dívidas, e hoje enfrenta múltiplas acções judiciais, que determinam a apreensão e congelamento de bens, tal como qualquer banco faria à nossa casa, se anunciarmos que não pagamos mais a prestação.
Como não é possível confiscar um país inteiro, os tribunais vão atrás de todos os bens e activos que estejam ao seu alcance, para fazer cumprir a lei.

A Argentina, naquele período, tinha uma economia mais virada para as exportações, sobretudo agrícolas, e beneficiou de um aumento para mais do triplo do preço da soja, naquele período. Não evitou o pior, mas sempre ajudou um pouco a dar a volta.
11 Anos depois da hecatombe, a Argentina está ainda a recuperar dos efeitos da sua decisão, um crescimento frágil e contestado por especialistas, nomeadamente os números oficiais do governo argentino para a inflação, que não batem certo com o que se verifica no país. Ou seja, hoje ainda não conseguimos determinar com segurança se é sequer possível a um país sobreviver económica e socialmente a um default, ou se fica antes condenado a uma existência moribunda durante décadas.

Hoje, Portugal encontra-se numa encruzilhada semelhante, com a sua soberania condicionada, e enfrentando o mesmo dilema: Austeridade ou Incumprimento?

No meio deste dilema, está a minha geração, a primeira que nasceu numa democracia plena, aquela que é considerada a melhor preparada de sempre. Mas a pergunta inquietante é: preparada para quê?
Até agora, a única certeza absoluta que a minha geração tem, é que vai pagar bem caro as loucuras faraónicas de alguns, uma "conta calada" que ainda nem se conseguiu saber exactamente quanto é.
Como não quero ficar sem a Sagres, nem tudo o resto de valor que os credores consigam deitar a mão, naturalmente prefiro sofrer e pagar agora, do que ir sofrendo e pagar muito mais, durante muito mais tempo.
Compreendo que muitos dos meus compatriotas não partilhem desta escolha, e se manifestem em defesa da outra alternativa, porque afinal não queriam as estradas nem as escolas de luxo, querem menos despesa (menos Estado), mas querem que o Estado continue a tomar conta deles (mais Estado).
Compreendo, mas não concordo e não aceito!
Eu não quero que aconteça ao meu país o que aconteceu à Argentina, não quero não poder levantar o meu dinheiro, porque os bancos congelaram as minhas contas, não quero sair do Euro e perder o acesso ao Mercado Único, não quero passar dos actuais 15% para os 40% de desemprego, com o colapso total do mercado interno.
Agora que já disse o que eu não quero, vou dizer o que não vou fazer:

Não vou desistir de lutar pelo meu país!
Não vou distrair-me com os Velhos do Restelo nem com os reféns dos poderes instalados!
Não vou deixar-me levar por aqueles, que por desespero ou fanatismo ideológico, conspiram e participam activamente numa tentativa de sabotar o país,conduzindo-o à bancarrota!

Porque este país é de todos, portanto também é meu e teu. 

E eu não quero ficar sem a  Sagres!










segunda-feira, julho 23, 2012

Os Livros da minha vida (Parte 1)




Querido Blog.


Os livros fazem parte da minha vida.
Nasci no seio de uma família a eles dedicada, desde 1957, editando livros científicos em português, recusando o facilitismo das traduções de gurus internacionais, e apostando em autores portugueses.
Nasci numa família dedicada ao conhecimento, cresci a fazer perguntas, umas em tom curioso, outras em forma de desafio.
O amor aos livros, a dedicação ao conhecimento, foram das melhores mensagens que os meus pais me transmitiram, desde pequeno. 

Querido blog, esta rubrica é dedicada aos meus pais.



Os livros e bandas desenhadas foram a melhor forma de "calar" as perguntas incessantes do puto refilão, curioso, sobre tudo o que via. Cedo os meus pais me explicaram que aqueles objectos misteriosos continham as respostas para os maiores mistérios, os mapas para os os mundos mais fantásticos, e as chaves para o imaginário do nosso "eu" profundo, onde somos só nós, puros, livres de pensar e respirar pensamentos...
Li muitos livros e bandas desenhadas, mas há 4 colecções que ainda guardo religiosamente.


A colecção história júnior foi para mim uma forma linda de conhecer um pouco da história do mundo. Quando vi o primeiro ainda mal sabia ler, e a vontade de perceber o que diziam nos balões brancos aquelas pessoas que estavam dentro do livro foi para mim uma grande motivação, e com a ajuda da minha tia Ester rapidamente dominei a língua de Camões, e depois a matemática.
As aventuras lusitanas, as grandes invenções e os grandes líderes dominaram o meu imaginário. Ainda hoje o fazem...



Os meus livros do Asterix e C&A,Tintins e Lucky Lukes foram os meus tesouros preciosos durante muito tempo. Lia-os a correr, memorizava tudo e guardava para não se estragarem. Os meus pais contam-me que me ria sozinho na sala a ler estes "livrinhos". Ao menos estava quieto uns 10 minutos. 

Mas quem nunca se emocionou a ler, não sabe o que é "entrar" num livro. Um livro não se lê verdadeiramente, respira-se, vive-se. 


Quando respiras um livro ele passa a fazer parte de ti.




Sociologia dos bonecos (parte 2) - legos e soldadinhos!



Querido blog,

Adoro os meus pais, mas há 2 ou 3 coisas que nunca lhes consegui perdoar verdadeiramente. Os legos foram na minha infância a melhor prenda que me podiam dar, sobretudo se fossem soldados ,canhões e afins. Lembro-me de derreter o juízo aos meus pais, recorrendo a exigências, birras e chantagens de toda a forma para tentar ter o barco pirata. 
Hoje, no rescaldo do Tall Ships Lisboa, lembrei-me que nunca me dera o raio do barco que eu queria tanto.

Para compensar, fazia grandes combates entre os meus soldadinhos de plástico e os legos, sendo que estes últimos, talvez por terem um aspecto mais simpático, e armas mais ranhosas, acabavam por vencer contra todas as probabilidades. 
Parece que desde criança tinha esta coisa na cabeça que os "mais fracos" também deviam vencer. Olhando para dentro hoje, acho que ainda não resolvi bem essa coisa, mas gosto mais de mim assim.
Acabei por largar os legos, à medida que colecionava os soldadinhos, com os canhões, tanques de guerra, os verdadeiros heróis das batalhas na praia com os outros miúdos. Claro que estes não deitei fora, vão ficar à espera que um dia outras mãozinhas cheias de imaginação queiram dar-lhes vida de novo!

Uma coisa que sempre me fez um bocado de impressão, foram a falta de brinquedos deste género inseridos nas temáticas da história de Portugal.Já viram o que era ter um D. Afonso Henriques a cavalo,à cabeça das hostes portuguesas, a bater nos mouros como se não houvesse amanhã?

Isso é que era!



terça-feira, junho 19, 2012

Pedro, por aqui luta-se! E por aí?


Querido Blog,

Hoje recebi uma mensagem via facebook do Pedro, que dizia assim:

"Viva joão, não me lembro de nos termos conhecido, mas como estou a contribuir para o teu salário gostava de te perguntar qual é a tua especialidade, e se achas que tens a experiência para estar no cargo onde estás, a ganhar aquilo que ganhas.. pergunto, porque pelo teu CV acabaste o curso há dois anos...
felicidades para tod@s e que a nunca nos sobre nem falte comidinha
"

Ora meu querido blog, sabes bem que eu não gosto nada de alimentar os frenesins inquisitoriais que infelizmente pululam na nossa sociedade, um vício antigo e enraizado que a crise tem elevado a um novo expoente.

Talvez a audácia de me abordar directamente, ou talvez porque vi nesta mensagem o medo que leio nos olhos de muitos, que temem pelo futuro, e duvidam da nossa capacidade enquanto país de sair da crise em que vivemos. Sinceramente não sei explicar tudo o que senti ao ler a mensagem, mas decidi responder, e partilho agora essa resposta.

"Olá Pedro. De facto não me lembro de te conhecer, mas admiro a frontalidade das tuas questões, e apesar de não ter de dar satisfações, faço-o da forma mais transparente. 
Para a questão de ter ou não curriculum suficiente, remeto-te para o meu linkedin para que possas julgar por ti próprio. 
Quanto à experiência de facto "só" trabalho desde os 18 anos, "só" investigo e participo em formações nas áreas da segurança e defesa desde 2001 e só tenho 10 anos de actividade política. Se isso chega? Pelos vistos quem de direito entendeu que sim, e "foi buscar-me" à empresa onde trabalhava.
Quanto ao salário, 3186 euros brutos é o mesmo que 99,9% de todos os outros assessores/adjuntos (publicado no site do governo, uma medida inédita e acertada), e incide sobre mim a mesma carga fiscal e suspensão do pagamento dos subsídios de ferias e natal que incide sobre todos os restantes funcionários públicos, e ainda bem que é assim porque é o justo.

http://pt.linkedin.com/in/joaoannes

Não sei se ficarás satisfeito ou não com a minha resposta, mas prefiro dar-te factos do que opinião, para que decidas por ti próprio. Aproveito para te deixar uma reflexão, que é a razão que me motivou a aceitar o convite. 
Em 2011 vi o meu país à beira da ruína, a minha família e amigos receosos do futuro, e quando li o memorando da troika negociado pelo PS, percebi que o caminho das pedras ainda estava por percorrer. 
Quando aceitei este convite, alguém me disse : " vais dar o couro e cabelo , o governo pode ou não ter sucesso, o país pode ou não salvar-se da ruína, mas tenhas sucesso ou não ninguém te vai agradecer a ti ou a qualquer governante pela missão que cumpriram". 
Pedro, a razão porque estou aqui é porque não viro a cara á luta e ao meu país, quando me é dada uma oportunidade para lutar pela melhor das causas, que é Portugal. 
Porque ajudar a salvar o país também é ajudar a salvar as nossas famílias e o futuro dos nossos filhos.

Pedro, por aqui luta-se! E por aí? Abraço!"








"when the shit hits the fan, some guys run and some guys stay"

sexta-feira, maio 25, 2012

Pensar como um Pai



Querido Blog,

Esta segunda feira de manhã, vinha eu no caminho habitual para o trabalho, quando, ao fazer uma curva sem visibilidade, deparo-me com umas 30 crianças de um colégio guiadas pelas auxiliares, a atravessar a rua fora da passadeira, que estava a uns 20 metros de distância.
Ora quem me conhece sabe que eu, como qualquer bom português, tenho "pé pesado", mas aconteceu que vinha devagar, e ao fazer a curva (com visibilidade zero) tive todo o tempo para travar suavemente e esperar que as crianças fizessem a travessia.
Quem me conhece também sabe que não me contive e saí do carro para abordar a senhora responsável e disse-lhe: 

João Annes -" Bom dia! Só para lhe dizer que ainda bem que não sou pai de nenhuma destas crianças, nem sei qual é o seu colégio, senão sabia bem onde ia agora antes de chegar ao trabalho"
Auxiliar -" Mas que se passa?"
João Annes - " que se passa? então é assim que ensina as crianças a passar na passadeira, é assim que garante a sua segurança? Já viu que eu não vejo nada para este lado quando faço a curva? e se eu venho mais rápido?
Auxiliar - " Ah pois, mas onde é que está a passadeira?"
João Annes - "Mesmo ali" - e aponto para o local, aos tais 20 metros de onde estávamos a falar...
Auxiliar - Ah pois tem razão, mas estava longe....

Nisto, voltei a entrar no carro e fui-me embora.

Quis a vida que eu até hoje não seja casado nem tenha filhos, mas um dia isso acontecerá.
E vou ter de continuar a trabalhar e a minha mulher também.
E vou ter de confiar os meus filhos a desconhecidos em jardins de infância, escolas primarias e afins.
E não vou nunca ter a certeza que eles estarão em segurança, que serão bem tratados.
E vou andar preocupado e atento a quaisquer sinais, e vou ser tão exigente quanto o dinheiro me permitir com as escolas onde coloco os meus filhos.
Ainda assim, estes pensamentos não ajudaram a acalmar o momento de angústia que senti por aqueles filhos dos outros.
Ainda não tenho filhos, mas naquele momento tudo o senti e pensei, foi como pai....



segunda-feira, maio 14, 2012

Sociologia dos bonecos (Parte 1)



HE-MAN



Querido Blog,
Crescer é aquela coisa que nos dizem desde pequeninos que temos fazer.
Crescer, a palavra que no dicionário parental significa "porta-te bem e faz o que te mandam, porque sim".
Crescer, aquilo que sentimos necessidade de fazer quando a vida nos diz que não estamos preparados para algo que desejamos realizar.
Em suma, nós crescemos sempre que decidimos abdicar de algo relevante a favor de algo que tem valor superior.Ontem, já com 28 anos, enquanto fazia arrumações, encontrei muitos dos brinquedos e jogos com que me divertia na minha infância, e não resisto a iniciar aqui uma "viagem ao passado", porque se os nossos brinquedos fazem parte de nós, então nós somos, em parte, os nossos brinquedos.


Grizzlor
Desde pequeno que os brinquedos me ensinaram que havia os bons e os maus. Lembro-me que adorava correr pela casa atrás da minha tia Elisa, de Grizzlor em punho, a gritar como se não houvesse amanhã,  "Não me voltas a dar sopa!"
Das memórias que ainda trago desses tempos, reparo que habitualmente, quando brincava com outras pessoas, escolhia ser dos maus, com bonecos assustadores e grandes planos imaginários de conquista.
Sempre tive um fascínio, pelo "darkside", pois são as personagens mais ricas e complexas dos livros e cinema, cheios de contradições e, talvez por isso, despertem em nós uma identificação emocional mais primária.
Só havia um tipo de herói que me interessava, o justiceiro anti-herói, aquele que não combate para conquistar o poder, mas sim para defender outros, acabando por superar os seus inimigos, sem por em causa os seus valores morais.
O HE-MAN era a personificação do meu estilo de herói infantil: um tipo com super poderes, defensor do povo de Eternia, o único capaz de derrotar o temível Skeleton, contando com a preciosa ajuda de uma espada invencível que não podia utilizar para matar!
Claro que eu usava sempre o machado, para poder dar "cabo dos maus" sem problemas de consciência.
Nunca fui muito de brincar com carrinhos, e legos só para fazer robôs do espaço em batalhas épicas debaixo da mesa de jantar, ou viver com os bonecos dos piratas lego.Pelo contrário, o amor pelo fantástico e o gosto por jogos de guerra fazem parte de mim desde tenra idade....
Brincar faz muita falta ás crianças, e eu ainda fui da geração dos brinquedos "físicos", antes dos jogos de vídeo, de jogar á bola na rua em vez de ficar a ver televisão.
Tudo farei para que os meus filhos possam um dia crescer a jogar á bola, andar de bicicleta, brincar com monstros, carros, bonecas, remetendo os divertimentos sedentários para segundo plano.







terça-feira, abril 10, 2012

O Benfica e o Futuro

Adoro futebol.
Vibro com as jogadas individuais, os golos, a força de um colectivo a dar a volta a um jogo, festejo as vitórias e fico aborrecido quando o meu clube perde.
Hoje, o meu clube, o Sport Lisboa e Benfica, perdeu um jogo. Hoje o meu clube praticamente perdeu a luta pelo campeonato. Hoje, o FC Porto arrisca-se a vencer um campeonato com o treinador menos capaz dos últimos 25 anos.
Um dos motivos de orgulho em ser Benfiquista é a forma como abordamos positivamente o futebol, queremos que a nossa equipa ganhe, que jogue bem, que conquiste títulos e sobretudo não nos preocupamos muito com os outros.
Como bom benfiquista que sou, não vou perder tempo a comentar as arbitragens que prejudicam o Benfica, nem as suas causas, vou ser bem comportado e exigente, e dizer o que acho que temos de fazer para a próxima época.

1- Está na hora de trazer um novo treinador para a Luz. O Jorge Jesus é um excelente treinador que elevou o Benfica a outro patamar, mas que em jogos decisivos nas últimas épocas "inventa", e sai normalmente a perder.  A sua teimosia em casos como o de Emerson e a dificuldade em encaixar as derrotas, demonstram uma falta de humildade cega que retira ao nosso treinador o discernimento e o pragmatismo necessário para gerir o plantel. Já agora, era bom ter um treinador que não receba comissões dos jogadores que vêm para o clube.  

2- Está na hora de ficarmos com os jogadores que querem jogar no Benfica. Além do Luisão (será que este ano é diferente, depois da renovação até 2016?), sabe-se que há mais 1 ou 2 jogadores que pretendem sair do clube. Saber fazer retenção para obter maior rentabilidade num negócio é importante, até ao momento que cria desmotivação no jogador e prejudica o seu rendimento.
Só faz falta quem quiser estar!

3- Está na hora de deixarmos de ser as virgens ofendidas. Como adepto, adoro futebol, mas não sou ingénuo. O Benfica perde há muito tempo nos bastidores aquilo que conquista no campo, e há muito caminho a fazer para proteger os interesses do Benfica. Mais do que assumir a verdade e transparência desportiva no discurso, é essencial propor acções concretas e agregar outros clubes das 2 ligas a este projecto. No futebol, como na política, a melhor defesa é o ataque, vamos atacar o problema!

4- Está na hora de perceber se o Benfica assume ou não a ruptura com a Olivedesportos. O discurso vigente diz que vai acontecer. A experiência do passado mostra que não é bem assim. não percebo como é que estas declarações do Presidente da Liga não foram manchete nos jornais todos, de tal forma que até a resposta a esta notícia pouco importante teve mais relevo.
De facto, não consigo perceber qual é a relação entre Joaquim e António Oliveira, a Olivedesportos, e o FC Porto....
Ironias á parte, fico muito inquieto sempre que vejo que estes senhores também têm uma participação qualificada na Benfica SAD.
Como benfiquista pergunto: Afinal de que lado é que está o Benfica?
Como adepto, tenho que dar alguma razão ao Luís Cirilo, que esta situação é muito sombria!


terça-feira, abril 03, 2012

Facebook Versus Oscar Wilde



Eu fui daqueles que resistiu durante algum tempo a aderir ao facebook. Em parte por alguma costela conservadora que conservo para nao ser demasiado impulsivo, mas tambem porque duvidava da utilidade de expormos a nossa vida a toda a gente, e sobretudo porque não queria ficar agarrado a mais um instrumento da sociedade virtual.

Pouco tempo depois de aderir já estava maravilhado e viciado no FB. Foi como se a velha lista de emails cinzentos de repente ganhasse vida, caras, sorrisos e energia! trocar ideias, saber noticias, comentar as fotos dos amigos e no geral senti-me mais próximo do meu mundo!
Em breve comecei a fotografar coisas porque achava giro por no facebook, difundir noticias que me interessavam, fazer politica participando em inumeros grupos, até lancei a empresa da minha família nessa rede social, para ajudar a divulgar novos produtos.

Reflectindo um pouco, acho que o que mais me ligou ao FB foi a sensação de fluidez, parece que a vida "anda mais rápido", como uma injecção contínua de adrenalina, sentida a cada actualização de estado.
Mas a vida encontra sempre formas de nos despertar para realidades que por vezes queremos ignorar.

Quando me deparei com esta notícia Joshua Bell - Washington Post, tive uma epifania.
Compreendi que existem uma série de "coisas" na nossa vida, onde se inclui o FB, que nos transformam de produtores de informação ( porque vivemos experiências e as partilhamos com outros), em reprodutores e difusores de informação. Não gostava de me tornar numa daquelas pessoas que passou pelo Joshua Bell, que tocava de forma sublime e gratuita no metropolitano, e não saber parar e apreciar aquele momento fantástico.

Assim que realizei tudo isto, decidi que algumas coisas na minha vida tinham de mudar, que tinha de me libertar de algumas rotinas e instrumentos que acabam por condicionar o pensamento livre e a criatividade.
Não precisava de o fazer, mas fi-lo porque não quero perder a capacidade de pensar "fora da caixa" e prefiro viver directamente a minha realidade, em vez de a encarar através de filtros.

Este não é um post contra o facebook, nem contra a sociedade digital, é uma afirmação de identidade individual e o reconhecimento da importância central que ela deve ter nas nossas vidas. Já Oscar Wilde dizia “Most people are other people. Their thoughts are someone else's opinions, their lives a mimicry, their passions a quotation.”.


Não partilho do pessimismo de Oscar Wilde em relação ás pessoas em geral ( nem do seu amor pelo paradoxal), mas reconheço que a visão crítica da sociedade do seu tempo se tornou intemporal.
Por isso, pela minha parte, vou buscar o meu chapéu de chuva e dar um passeio ao fim do dia.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Sobre a adopção de crianças por casais homossexuais


Ainda me lembro do debate sobre o casamento entre casais do mesmo sexo. A instrumentalização política que ocorreu impediu que a sociedade, em referendo, se manifestasse sobre uma questão que a divide profundamente.
Eu não fui contra o "casamento gay", mas sempre tive receio que após a aprovação na AR, viesse a questão que surge hoje, a adopção por casais homossexuais.
Não me importo que me chamem conservador nesta matéria, assumo que não acho natural a união entre duas pessoas do mesmo sexo, mas aceito que outras pessoas o desejem e o pratiquem, e como tal não me opus á alteração legislativa que foi proposta.
Não me opus mas não acho natural, nem acho que a sociedade está preparada para a aceitar como natural.
A principal razão para eu não ser contra o "casamento gay", é também a principal razão para não ser a favor da adopção por casais homossexuais.
Que 2 pessoas do mesmo sexo, maiores de idade, decidam optar por casar, é uma coisa. Que essas mesmas pessoas decidam adoptar e educar uma criança menor, já não concordo.
Fui ler aqui http://www.educacao.te.pt/pais_educadores/index.jsp?p=86&id_art=54 informações sobre a lei da adopção.
Olhando para a burocracia que a lei impõe, estou solidário com as dezenas de relatos que encontrei na Web acerca das dificuldades e limites impostos pelos critérios para a adopção, que eternizam os processos, e acredito que há muito trabalho a fazer no sentido de agilizar a componente processual da adopção.
Sou a favor que se discuta a legislação da adopção, mas só seria aceitável discuti-la também no âmbito da adopção por casais homossexuais se a questão fosse referendada, para que a sociedade decida de sua justiça o que pretende que o legislador faça nesta questão.
Fico satisfeito que o parlamento tenha chumbado as propostas hoje na AR, e acredito que agora haverá condições para se fazer um debate informado sobre todas as problemáticas relacionadas com a legislação da adopção.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

6 anos depois...

Querido blog,

Passaram 6 anos sem te escrever uma mensagem, sem te visitar para saber como estavas, sem saber nada de ti...

Passaram 6 anos em que me esqueci do prazer de assinalar momentos belos da vida, comentar a actualidade, partilhar contigo e com os outros os meus pensamentos, carimbar um pouco de mim num post...

Passaram 6 anos em que, reconheço com alguma vergonha, me esqueci de ti, e portanto esqueci uma parte importante de mim, aquela parte insatisfeita, que acredita que há sempre algo mais a fazer, que sempre viveu rodeada de livros e autores, sempre apaixonada pelas letras que compõem as palavras da nossa vida...

Passados 6 anos pergunto-me porque te abandonei.
Sei que fui em busca de outras emoções, outros prazeres da vida, lutei, venci e perdi algumas vezes.
Quero que saibas que nestes 6 anos terminei a licenciatura, tirei a carta de condução, tive 4 empregos diferentes, andei aos tiros e no meio do lodo com fuzileiros, ganhei e perdi eleições, arrendei uma casa, perdi familiares e alguns amigos que me fazem falta, apaixonei-me por uma mulher fantástica!
Só tenho pena de neste tempo todo não ter escrito uma linha que fosse sobre tudo isto, que foi a minha vida sem ti.

Não sei bem explicar porque te voltei a bater a porta, que abriste como fazem sempre os verdadeiros amigos, aqueles que nos perdoam e a quem perdoamos o imperdoável. Sei que viste partir um rapaz, e vês regressar um homem com cara de rapaz, que só te sabe dizer que sentiu a tua falta todo este tempo.
Há decerto mais boas razões que não te sei explicar, para o meu regresso, mas tenho a certeza que vamos descobri-las juntos!

Estou de volta porque fazes parte de mim.


segunda-feira, dezembro 26, 2005

Para o gatopardo não me xatear mais

Este buraco no Céu esteve prestes a fechar-se, de tanto entulho a que os técnicos chamam de "rotina diária".
Pois então que graças a um gato pardo ganhei novo ânimo,fiz questão, e voltei a escrever.

Abraçando o mal no seu todo mais horrível, começemos pelo novo "reality show" multicanal.
Estou a falar, obviamente, das presidenciais.
A maior diferença deste para outros é que só há 5 candidatos, 4 são expulsos no fim e o prémio é ficar na casa!
São cinco personagens, umas históricas e algumas adaptações da história, a saber:

1-D. Sebastião
2-Mário Tyson
3-D.Quixote de Lo Medo
4-Jerónimo Rosseau
5- Mussoline, o homem da flauta mágica

1-Não me lembro se havia nevoeiro, mas o senhor regressou de facto e logo ocupou a "pole position" na corrid para ficar na casa.Em face a este arranque fulminante, sofre agora a estratégia dos seus oponentes, denominada "todos contra todos e todos contra Sebastião" !!

2- O grande Pugilista político está de volta!
Quando se julgava que não mais se veria o morde-calos nestas andanças, eis que se apresenta para mais um assalto à casa actualmente mais concorrida de todas. As saudades são tramadas, e não há nada que pare este velho campeão de Vale-tudo de tentar voltar à ribalta, esse grande viagra para egocentricos carentes.

3- Segurem-se que este senhor pretende abanar o Status Quo e lutar contra o medo, esse moinho bastardo que se instalou na sociedade portuguesa.É quase poética esta corrida que se desenrola mas pouco mais é que isso. Ninguém vai deixar a casa à guarda de alguém que vai decerto perder as chaves e deixar o gás ligado!

4-Temos aqui o protótipo do político simpático, o concorrente ideal para vender o produto do comunismo simpático e democrático. Só é pena andar a vender sonhos. A extrema pobreza do discurso obriga-o a manter-se como deputado e feroz opositor do Governo de manhã, e candidato à casa de Tarde. Vida dura....

5-De todos os personagens a mais pitoresca. Capaz de distribuir pelos seus apoiantes doses "Extasiantes" de rétórica e cachimbadas utópicas com aromas "exóticos", afirma-se como o fio condutor da nova moda Coolmintern e pretende mandar os seus adversários para o Coolgulag político que merecem, a poça de lama política!!

Enfim... Com reality shows destes, acho que só o D.Sebastião mereceu passar no casting, porqu e faz o papel dele próprio ,não impressiona mas não decepciona ninguém, é aquilo que nós esperamos dele porque não tem outro eu.

quinta-feira, agosto 25, 2005

9 conceitos para futuros mandamentos

Vou correr o risco de reflectir sobre o "país das bananas". De novo.
Conversas que tenho mantido aqui e acolá, acrescidas de uma valente "injecção comuna" que ontem me deu ganhas de estrafegar com extremo prejuízo o meu interlocutor, levam-me a concluir que ainda há muita gente a viver em "utopias negativas" da tanga, no que toca à sua visão da realidade portuguesa.
Não indo ao extremo limite do ridículo de chamar a isto os 10 mandamentos do Da Boss ( parece que já houve um contador de histórias, que abriu buracos no mar e espalhou pragas, que registou a marca) , vou chamar a esta reflexão "os 9 conceitos para futuros mandamentos do Da Boss" ( POWERED by Buraconoceu) :

1-É preciso poder despedir para poder contratar- princípio básico da mobilidade no mercado de emprego. Quantos de vós não conhecem casos de pessoas que se esforçam muito durante nove meses para entrarem no quadro para depois pararem de produzir, baixas sucessivas etc?

2- Renovação e humanização das administrações das empresas- muitos daqueles que decidem os rumos das empresas estão ultrapassados, são pouco humanos face aos seus funcionários, pouco sérios na altura de pagar aos fornecedores e muito inflexíveis na hora de cobrar dívidas.

3-Função pública versus tacho- Um problema de fácil resolução, mas porque e que só há um curso de gestão e administração pública em Portugal? Como não formamos pessoas para operarem na administração pública deixamos todas as vagas à malta do tacho. É comum nos países do Norte da Europa existirem universidades dedicadas à formação de funcionários públicos para os vários ramos do aparelho de Estado. Aplicando á mentalidade portuguesa actual, se é para se dar tachos pelo menos sejam dados a tachistas competentes.

4-Corrupção na justiça portuguesa?- ninguém duvida, mas quem vai guardar os guardas? Muitos dos políticos em posição de alterar isto têm as mãos demasiados sujas para isso, alíás é prática do PS nomear presidentes do conselho de magistratura feitos à medida para abafar certos processos ( Lembram-se do irmão do Paulo Pedroso? ).

5- Renovação tecnológica na justiça- Boas medidas, novos equipamentos, melhores condições de trabalho, mas uma média de idades de funcionários adjudicados ao aparelho de justiça que ronda os 46 anos, por isso os PC´S estragam-se, os dados são mal inseridos, os sistemas bloqueiam e voltamos aos processos em papel a circular livremente nos corredores.

6- Reformas versus greves- posso não concordar com algumas das medidas de vários governos do PS e PSD, mas o facto é que se por exemplo no norte se fizer greves a pedir reformas, no sul fazem-se greves contra as reformas. Acreditem que deve haver muitos políticos com vontade de fazer greve também, havia de ser engraçado.

7-Contenção versus desperdício- parece-me que nenhum governo pode ser credível se acompanha medidas impopulares com uma caça ao tacho pelo seu aparelho partidário, tanto no PSD cmo no PS ( estes últimos acho piores pois fazem-no e alguns até dão entrevistas em que admitem que não percebem nada de, digamos, petróleo, mas que aceitam ser administradores na mesma).

8- Comunicação Social versus Democracia- da última vez que vi na constituição, não havia nada que legitimasse um quarto poder como este que se fortalece de dia para dia. Quem viu o debate ontem sobre o concelho de Oeiras e sabe também que o mandatário da campanha da Teresa Zambujo se chama Pinto Balsemão até nem estranha o 3 contra 1 a tentar enterrar um homem que já era rico antes de ir para a Câmara de Oeiras, fez a obra de que nós oeirenses desfrutamos todos os dias, e agora vê-se alvo de uma tentativa de assassinato político por um minorca, um magnata em apuros e uma tipa recém-licenciada. Será que já há um espaço reservado ao expresso no Taguspark?

9-Política versus comunicação social- é uma tentação enorme fazer uma chamada, passar uns documentos e esperar pela notícia. muitos políticos usam activamente a comunicação social para conduzirem as suas guerras internas para chegarem ou se manterem no poder nos seus partidos. Felizmente há muito bom jornalista neste país que olha com clareza para isto tudo, mas estes não chegam lá acima para libertarem uns e expulsarem outros que se julgam, à boa maneira portuguesa, donos da verdade.