quinta-feira, abril 19, 2012

A marca da minha geração


Querido Blog,

Sou daqueles que acredita sem qualquer reserva na minha geração. Sou daqueles que se inspirou nos grandes feitos da década de 90, que festejou a queda do muro de Berlim e foi testemunha activa da grande corrida da globalização, a galope da Internet.
Para mim, a década de 90 foi a última das grandes causas, dos grandes avanços tecnológicos e da "modernização" social do Ocidente. Foi sobretudo a última porque deixámos de falar em décadas depois disso. Deixou de fazer sentido essa métrica, tanto que vamos em 2012 e poucos falam ou escrevem sobre o primeiro decénio.
Esta poderia ser uma constatação inútil, mas não é. A verdade é que podemos identificar traços únicos que marcam os decénios do século XX, como o Liberalismo dos anos 20, as causas sociais dos anos 60, ou o início da idade da informação dos anos 80.
Quando olho para o primeiro decénio deste século, do ponto de vista de Portugal e da minha geração, não faço um balanço positivo, ou pior, não vejo grande coisa a relatar sobre os nossos feitos, nem algo de relevante com que tenhamos contribuído para o futuro do nosso país.
Na verdade, o que a minha geração andou a fazer nestes 10 anos foi lutar para sobreviver a uma série constante de contratempos e crises geradas internamente, ou provocadas por acontecimentos exógenos.
Pronto.
Isto tem corrido mal. A coisa está preta e não há "plano Marshall" ou "cheque inglês" que nos valha.
Dada a conjuntura, a minha geração sabe que não vai ter a estabilidade e oportunidades que os nossos pais tiveram. Mas nem por isso baixamos os braços.
Seja em Portugal ou no estrangeiro, a minha geração está a fazer o que sabe melhor, trabalhar e dar tudo de si para vencer no meio de tantas dificuldades. Não baixamos os braços, e cada pequeno passo que damos em frente fortalece a nossa determinação.
Estamos também a aprender muito. Estamos atentos a muitas causas artificiais, problemas estruturais, e outras pedras que se colocam no nosso caminho. E quando um dia tomarmos o leme nas mãos, saberemos o que é preciso fazer.
Sei que vamos sair disto.
Tenho a certeza porque temos uma fonte de energia inesgotável, que é a vontade de endireitar a nossa pátria, para que os nossos filhos e os filhos deles vivam a vida que nós já não vamos viver.
Quando escreverem um dia sobre a minha geração, vou ficar contente se ler que nos sacrificámos para salvar o futuro. É por isto que luto.







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